1 de fevereiro de 2010

EIS O HOMEM!



     Deus possui multiforme sabedoria. Ele pode usar uma ação ou palavra de alguém que não o teme para que se converta em algo proveitoso para o reino de Deus. Deste modo, reis ímpios como Nabucodonosor puderam ser chamados de servos de Deus.
     Depois de muita insistência Pilatos, o cruel governador romano, apresentou Jesus para uma turba sedenta de sangue: Ecce homo! (Eis o homem!), proclamou (João 19:5). Sua intenção era apenas mostrar aos judeus o homem que iria ser crucificado. Contudo, esta frase expressa uma verdade bíblica. E, na história da igreja ela tem sido usada para proclamá-la: Jesus não é apenas um homem, ou mesmo o melhor dos homens. Ele é o homem! Sua encarnação tem importância vital não somente para nossa salvação, mas também porque fixou o paradigma que devemos seguir. A vida de Jesus responde uma indagação antiga: se Deus fosse homem, como seria?
     Paulo fala extasiado sobre a encarnação do Verbo: “E, sem dúvida alguma grande é o mistério da piedade: Aquele que se manifestou na carne, justificado em espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, e recebido acima na glória (I-Timóteo 3:16). E é tão importante crer nisto que João diz que aqueles que negam a vinda de Cristo em carne, é o anti-Cristo (I–João 4:2-3). Para ser fiel sumo sacerdote, Jesus se tornou semelhante a seus irmãos (Hebreus 2:17-18). O perfeito mediador entre Deus e os homens é Jesus Cristo, homem (I-Timóteo 2:5).
     Como homem ideal, o Senhor Jesus se tornou nosso referencial último, o padrão fixo de conduta moral e espiritual. É para ele que devemos ter nosso olhar fixado (Hebreus 12:2).
     Mas, como os homens têm olhos vacilantes! Olham muitas vezes para alguém que estimam como elevado. Contudo, por mais espiritual e santo que alguém pareça ser, ele ainda não é nosso modelo. Creio que foi com propósito que Deus revelou na sua palavra notórios pecados de baluartes da fé: O pai dos que têm fé, o rei segundo o coração de Deus, aquele a quem Deus ofertou qualquer coisa que desejasse, o apóstolo que caminhou sobre águas, todos se mostraram falhos em determinados momentos de suas vidas. Apenas Jesus permaneceu imaculado, puro e justo diante do Pai (I-Pedro 2:22).
     Vivemos em uma geração tão distanciada da Palavra de Deus, que as pessoas se apegam facilmente a padrões de comportamento não bíblicos. Escolhem seus heróis e ídolos e tentam imitá-los a todo custo. Defende-os com avidez toda vez que os tais são acusados de pecados. Por isto, multidões mudam de pensamento e de atitude quando seu líder adota uma nova postura.
     Paulo, certa vez, disse: “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo” (I-Coríntios 11:1). Mas é claro que ele não estava querendo estabelecer um novo modelo de vida para os discípulos. Ele apenas estava a dizer que os cristãos deveriam imitá-lo, na medida em que ele imitava a Cristo. Se ele estivesse fora do padrão de Jesus, deveria ser amaldiçoado (Gálatas 1:6-7). Em última instância é o próprio Senhor que deve ser imitado (Efésios 5:1). Não baixemos o nosso padrão, não mudemos o foco, não tragamos outro modelo para diante de nossos olhos. Não recuemos por causa de nossa fraqueza e pecado.
     A Bíblia diz que Cristo nos deixou exemplo para que sigamos suas pisadas (I-Pedro2:21). Como bom mestre Ele não apenas falou, mas viveu tudo aquilo que verbalizou. Ele não apenas falou de amor, mas amou-nos até o fim, não somente falou de perdão, mas perdoou aqueles que se chegaram arrependidos a Ele. Certa vez os discípulos de João Batista lhe trouxeram a indagação do profeta se Ele era o Cristo ou não. Um dos evangelistas relata que na mesma hora “Jesus curou a muitos de enfermidades e males e espíritos malignos, e deu vista a muitos cegos. Então lhes respondeu: Ide, e anunciai e João o que tendes visto e ouvido: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados e aos pobres é anunciado o evangelho” (Lucas 7:21-22). Neste caso, ele primeiro agiu e depois falou.
     Em uma das passagens mais impressionantes das Escrituras, Jesus lava os pés dos apóstolos, de todos aqueles que iriam abandoná-lo em breve. Após este gesto de extrema humildade Ele disse: “se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns dos outros. Eu vos dei exemplo, para que façais o que eu vos fiz” (João 13:14-15)
     No final do século XIX, o pastor Charles Sheldon lançou um livro que viria a se tornar um dos maiores bestsellers do mundo das letras: Em seus passos o que Jesus faria? A obra fictícia traz a estória do desafio de um pastor à sua igreja: por um ano os membros voluntários não fariam qualquer coisa em suas vidas, sem antes perguntar o que Jesus faria naquela situação. O que ocorreu foi que a vida de uma cidade foi abalada pelo testemunho vigoroso dos crentes. É claro que quando a Bíblia fala em seguir a Cristo, não está a nos ensinar um tipo de imitação fria, calculista, como um humorista faz com uma personalidade famosa. Não. Ela nos está incitando a uma aproximação amorosa daquele que é nosso padrão, modelo. Precisamos conhecê-lo e amá-lo para imitá-lo: “qualquer que guarda a sua palavra, o amor de Deus nele tem-se verdadeiramente aperfeiçoado. E nisto conhecemos que estamos nele. Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou” (I-João 2:5-6). 
George Gonsalves
 

Nenhum comentário:

Você pode também gostar

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...