19 de janeiro de 2010

NÓS E O HAITI

       Nestes dias tenho visto perplexo as cenas de destruição, morte e dor no pequeno país da América chamado Haiti, devastado por um terremoto. Vi também, em meio ao caos, pessoas de vários países ajudando aquele povo: médicos, soldados, voluntários de várias profissões prestando solidariedade.
        Tudo isto me levou a pensar sobre a atuação que Jesus teve no mundo e àquela que a igreja deve também ter em relação ao sofrimento humano. Cristo viu o homem em sua plenitude. Não eram apenas almas a serem salvas, mas também corpos a serem alimentados e curados.
        Em diversas passagens do Evangelho, Jesus mostrou-se estar completamente envolvido com os problemas do povo. Antes da multiplicação de peixes e pães, ele disse: “Tenho compaixão desta gente” (Mt. 16:32). Na narrativa de uma cura, o evangelista narra: “Aproximou-se dele um leproso rogando-lhe, de joelhos: Se quiseres, podes purificar-me. Jesus, profundamente compadecido, estendeu a mão, tocou-o e disse-lhe: Quero, fica limpo!” (Mc. 1:40-41). Ele não apenas fez o bem às pessoas, mas a sua motivação era correta, vinha de um coração cheio de compaixão.
        Na história da igreja percebemos que os avivamentos levaram os crentes a um maior comprometimento com a mensagem plena do evangelho, o que os levou a um maior engajamento com as questões sociais de seu tempo. Podemos citar o movimento espiritual dos quakers, notáveis abolicionistas, ou do Exército de Salvação, que trabalhava junto aos desvalidos da Inglaterra. A socióloga Ângela Randolpho descreve assim, em seu livro Católico, Protestante, Cidadão os efeitos de um avivamento ocorrido nos Estados Unidos: “a última metade do século XIX foi a época da reedição do sonho de fazer os Estados Unidos uma nação cristã, e o revivalismo iria lutar contra os ‘males’ da nação: a pobreza, a opressão sofrida pelas mulheres, a escravidão, entre outros” (p. 59).
         Em nosso país, infelizmente, o que tem mais prosperado no meio evangélico é o tipo de mensagem individualista, fomentada pela “teologia” da prosperidade. Esta pregação leva os crentes a cuidarem apenas de suas próprias vidas. Os outros? Ah, eles que tenham fé para serem abençoados.
         Por isso, catástrofes como as do Haiti, ou mesmo em nosso país (enchentes, secas) ou ainda, injustiças sociais, não sensibilizam uma grande parte do meio evangélico brasileiro. Uns apenas as definem como castigo ou desígnio divino, sem se sentirem motivados a se envolverem, de algum modo, com o problema.
          Por que deveríamos nos importar com aquela gente de cor escura, praticante da religião vodu, que mora em um acanhado país do Caribe? Bem, em primeiro lugar eles são amados por Deus, tanto como cada um de nós. Deus não ama por medida, ou faz acepção de pessoas, simplesmente porque Ele é amor. Por fim, neles estão gravados a imagem do Senhor Criador. Devemos amá-los, pois Deus está, de algum modo, em cada homem e mulher daquele lugar.
         Se nós cristãos não sentimos compaixão pelos males sociais que nos cercam, certamente não estamos em sintonia com o nosso Mestre, nem com os momentos mais iluminados do povo de Deus na história: “aquele que diz que permanece nele, esse deve também andar assim como ele andou” (I-João 2:6).
George Gonsalves


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